Adolescência
Automutilação Tem Origem na Infância?
Por Kesler Soares Pereira · 2 min de leitura

Entenda como experiências precoces e a dificuldade de simbolizar a dor emocional podem estar relacionadas aos comportamentos de automutilação na adolescência.
Automutilação Tem Origem na Infância?
A automutilação é o ato de causar lesões no próprio corpo sem intenção suicida consciente, servindo frequentemente como uma tentativa de aliviar um sofrimento psíquico insuportável. Na psicanálise, esse comportamento é entendido como uma forma de dar contorno físico a uma dor que não consegue ser nomeada ou expressa em palavras.
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A falha na nomeação dos sentimentos: Quando a criança não encontra nos cuidadores um suporte para traduzir o que sente, o corpo pode se tornar o único palco para a expressão da angústia. Esse déficit na simbolização faz com que a dor emocional seja convertida em dor física para se tornar suportável.
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A busca por controle e autonomia: Em ambientes familiares muito rígidos ou invasivos, o corte surge como uma forma de o jovem retomar a posse sobre o próprio corpo. É uma tentativa desesperada de sentir que algo lhe pertence, transformando a passividade do trauma em uma ação ativa.
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Ambientes de negligência emocional: A falta de validação dos afetos na infância pode gerar um vazio crônico. A ansiedade derivada dessa ausência de vínculo seguro faz com que o adolescente use a lesão para interromper estados de dissociação ou entorpecimento emocional.
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Custo-benefício da intervenção analítica: O benefício de investigar essas raízes é a transformação da atuação em fala, reduzindo o risco de danos permanentes. O critério de decisão para buscar análise deve ser a frequência do ato e a incapacidade do jovem em lidar com a depressao de outra forma.
Perguntas Frequentes
Voltar ao sumário ↑Toda automutilação é tentativa de suicídio? Não, geralmente é um recurso de sobrevivência psíquica para lidar com a angústia, embora exija cuidado profissional imediato.
O comportamento é apenas para chamar atenção? É um pedido de ajuda silencioso que sinaliza que a dependência emocional ou outros conflitos superaram a capacidade de enfrentamento do sujeito.
A análise pode ajudar a parar? A psicanálise ajuda a encontrar palavras para a dor, tornando o ato de se ferir desnecessário ao longo do processo terapêutico.




